Há vendas!
Vendem-se sonhos, vende-se esperança, vendem-se coisas, vendem-se vidas…
Compre! Compre muito! E compre logo, pois se deixar passar essa oportunidade incrível que só vale pra hoje, o preço amanhã será muito maior!
Por outro lado, produza! Produza! Produza!
E dali: você não se esforçou o suficiente, faça mais!
E olha o (a) cara lá ensinando a como chegar nos “milão”; a como ser maioral!
E olha aqui! Faça assim! Não! Tá errado! Tá certo! Vai pra lá! É por aqui…
Tá doido?
Estamos!
Ansiedade!
Compulsão!
Depressão!
Medicação!
Solidão…
Corpos sarados; mentes doentes.
Tão cheios de tudo; tão vazios de si, de nós…
Tanta vida a se perder…
Na loucura de um tempo em que muitos tem o que dizer, o melhor caminho pra apontar e o segredo para se chegar em um modelo de vida que se ensina, ainda que não se viva, como saber pra onde ir?
Que voz ouvir?
Na esteira do discurso empreendedor, como estamos gerindo a nós mesmos?
A analogia coorporativa me relembra as discussões na faculdade sobre a importância da cultura organizacional na identidade de uma empresa, a qual demanda clareza sobre a missão, a visão e os valores que orientem as decisões a serem tomadas em um negócio que se quer de sucesso.
Eis uma boa questão… O que é esse tal de sucesso, repetido aos quatro ventos, por todo canto?
De onde vejo, sucesso é algo singular. Tem haver com quem somos, nossa história, nossos sonhos, nossos desejos… Cada um a seu modo!
E eu/você, quem sou/é nessa história?
O eu é algo que se situa entre o que quiseram e fizeram de nós e o que nós, enquanto seres de vontades, decidimos fazer com o que nos fizeram…
Para quem ainda possa estar meio perdido (a), a voz que sinaliza os caminhos segue aí dentro, ecoando liberdade. Às vezes, só precisamos de um pouquinho de silêncio para escutá-la.
Desligar o celular, tirar o fone, silenciar o barulho que nos desorienta de nós pra então podermos nos ouvir…
E umas boas perguntas a se fazer a fim de reativar essa nossa bússola maior, nossa consciência, podem ser:
– Quais nossos valores?
– Qual a visão de mundo que carregamos?
Essa visão é realmente nossa ou estamos apenas reproduzindo o que disseram pra nós, sem pensarmos se é isso mesmo que nos confere sentido na vida?
Sabe-se tanto de tanto…
Sabe-se pouco de si!
É nesse exercício metacognitivo que poderemos ver se iluminar o caminho para a fuga de tanta balbúrdia.
Ser humano é um doloroso prazer… Mas não é justamente prazer e dor que nos fazem?
Ao reaprendermos a contemplar o silêncio, o caminho se revela a partir da nossa própria voz.
Para onde ir?
Sem dúvidas, de volta a si!
Ao me expor à vivência dos ditos recordo-me do meu amado e saudoso pai, cuja ausência física – há quase 20 anos – se faz presença na saudade que sinto de um tempo que ainda não chegou.
Papai dizia não ter sido “ninguém” por falta de oportunidade.
E quanta mentira! Mas tanta verdade…
E cá estou eu, enquanto herança de uma vida aniquilada pela miséria humana, sonhando e trabalhando por justiça e equidade…
Professo, diariamente, a minha fé no conhecimento enquanto elemento de construção de um nós que possibilite edificar pontes, para além dos muros que nos isolam na nossa própria insignificância.
Ao fazer a travessia, o encontro com o desconhecido de nós mesmos se revela em um nada que ao mesmo tempo é tudo.
Somos a pequenice de uma magnitude que não se completa sem nós.
Somos agregado atomístico de um todo universal…
Somos poeira cósmica…
Somos tudo, mesmo quando nos fazemos nada!
Somos nada, enquanto poderíamos ser tudo!
E que caminho seguir?
Pergunto-te…
Para onde querereis ir?

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